segunda-feira, 25 de maio de 2015

POLÍCIA CIVIL RECUPERA CARROS ROUBADOS EM CIRCULAÇÃO NA ZONA RURAL DO MUNICÍPIO.

Neste último fim de Semana, nos dias 23 e 24/05/2015, a polícia civil, sob o comando do delegado Ariosnaldo da Silva Vital Filho deflagrou a OPERAÇÃO “CARRETEL”, onde foram recuperados dois automóveis, sendo eles: um PALIO ELX, COR PRATA, PLACA DQS6282, Chassi nº 9BD17140MA5394847 e um CHEVROLET MONTANA LS, COR PRETA, PLACA OTS4602, Chassi nº 9BGCA80XDB268335, que estavam em circulação no Km 85, BR 230, Zona Rural de Rurópolis.  Neste caso, as investigações referentes à repressão aos crimes de roubo e furto de veículos nos municípios estavam sendo realizadas já há algum tempo sob sigilo pelos investigadores Hércules dos Santos Araújo e Sérgio Augusto Oliveira da Silva. Na delegacia de polícia de civil, os detentores dos veículos prestaram depoimentos e alegaram que teriam comprado de um desconhecido no início deste ano, pagando o valor aproximado de R$- 10.000,00 reais, contudo, os fatos narrados não convenceram a polícia, instaurando-se inquérito policial para melhor apurar o crime de receptação e fatos conexos. 
De acordo com as pesquisas realizadas pelos agentes da autoridade, contatou-se que a Placa DQS6282 do FIAT PALIO ELX FLEX, COR PRATA, apreendido é falsa, uma vez que pertence a outro veículo com as mesmas características, fato este vulgarmente, conhecido como “clone” ou “clonagem”. Os documentos dos veículos estão apreendidos e foram encaminhados para o Centro de Perícias Renato Chaves do Município de Santarém para serem submetidos à perícia técnica a fim de ser constatar sua autenticidade ou falsidade. Os legítimos proprietários já foram identificados, inclusive, o FIAT PALIO pertence a um nacional residente no Estado de São Paulo e que a placa do veículo é na verdade EJC3175, o qual consta ocorrência de roubo/furto na rede INFOSEG. De acordo com a Autoridade Policial, as investigações serão intensificadas. Também foi acionada uma equipe de peritos do município de Itaituba para realizar exame pericial técnico de verificação de chassi e agregados.

“Parabenizo o trabalho de investigação da equipe de policiais civis do município de Rurópolis que, apesar das diversidades das estradas agravadas com as repentinas mudanças climáticas e o difícil acesso às comunidades locais, não medem esforços para combater os crimes e elucidar suas respectivas autorias, bem como fazer presente  a instituição polícia civil nos lugares mais distantes da sede do município”. Finalizou o delegado.
Informações: Policia Civil 

sábado, 23 de maio de 2015

HOMENAGEM AS MÃES DE DIVINÓPOLIS FOI UM SHOW

Mães e filhos marcaram a presença no evento
Cortando o bolo
O Distrito de Divinópolis fez uma bela homenagem às mães. A festa foi somente ontem, dia 22, e contou com a presença do prefeito Pablo Genuíno e sua equipe de governo, como o Secretario de Educação Adilson da Silva, Agricultura; Anderson Amorim, Administração; David Silva e outros assessores. Também podemos destacar a presença dos vereadores Edgar da Rocha, Sergio Ribeiro e os vereadores do Distrito de Divinópolis Carla Naíza, Flora Variani e Ismael Cunha. A programação teve apoio da prefeitura, através do Prefeito Pablo Genuíno, que a cada ano enriquece ainda mais as festas populares, da Prefeitura Municipal, Secretaria do Trabalho e Assistência Social, Secretaria de educação e do SEMAE. 
Prefeito Pablo sempre acompanhado de sua genitora
A organização foi dos professores das escolas de Divinópolis. Neste momento em nome da administração Municipal, quero PARABENIZAR todos os professores e funcionários pela organização da festa. Foi um SHOW, tivemos varias apresentações em homenagem as mãe pelos alunos das escolas, por pessoas da comunidade e visitantes. Teve apresentação de uma peça de teatro muito bonita. Foi realmente um show, está de parabéns a comunidade organizadora daquele Distrito. Falando ainda da festa, alem das apresentações tivemos sorteio de brindes, como panela elétrica, ventilador, ferro de passar roupa, sanduicheira e um lindo fogão quatro bocas que teve como ganhadora a senhora Antônia Dutra Silva. Houve alguns pronunciamentos emocionantes, da Vereadora Carla, vereadora Flora, vereador Ismael, e do Prefeito Pablo sempre ao lado de sua genitora senhora Glauciene.  Para completar a festa foram distribuídos belos brindes a cada mãe que estava presente na festa, diga de passagem mais de quinhentas mães, e um delicioso coquetel. PARABÉNS AS MÃES DO DISTRITO DE DIVINÓPOLIS! VEJA MAIS FOTOS CLICANDO ABAIXO.

Texto e fotografias: Manuel Cleudes.





sexta-feira, 22 de maio de 2015

CRÔNICA DA SEMANA: UMA PESCARIA E OUTRAS VIAGENS DEBAIXO DO JAMBEIRO

Doutor Ary Vital e senhor Jacinto José de Lima, “O cravo das moças já foi alecrim das meninas”.
O "cravo das moças" com suas malhadeiras
Era quase meio-dia, sol à pino, quando fui até portão da delegacia e vi aquele senhor, já com as marcas do tempo e da sabedoria estampadas no rosto, encostar seu carrinho próximo à calçada e depois se sentar na batente que cerca o jambeiro.
- Os pés doem.
Ele falou ao tempo e eu ouvi, sem querer ouvi. Ele nem percebeu que estava encostado ali próximo. Fui até ele.
- Tudo bem senhor, como vai?
- Tudo bem. Hoje o dia está com o clima quente. Estou descansando um pouquinho aqui na sombra do jambeiro.
Ele se abanava, mas não perdia o sorriso.
- Fique à vontade.
E percebi que naquele carrinho de mão havia uma maleta e outros objetos. Não me contive, como uma criança enxerida perguntei-lhe:
- O senhor está de mudança? Vai viajar?
Ele me respondeu:
- Não, não. Ainda não, ainda tenho cem peças de malhadeiras para vender.
- Então o senhor é vendedor ambulante e vende o que?
E assim começou um diálogo ali debaixo do jambeiro, sob o céu de Rurópolis, onde duas pessoas de tempos diferentes tiveram suas histórias cruzadas.
- Vendo malhadeiras e tarrafas.
- E o senhor vende bastante?
- Sim, quem não gosta de uma pescaria?
E, quando ele me perguntou isso, entrei naquele meu momento que todos já conhecem chamado de “um instante que não para” e pensei comigo: “Nem sei o que dizer para este senhor, mas eu e pescaria não combinamos, de forma alguma, pois, logo eu que sou imperativo, inquieto e ansioso, não consigo ficar calado, em silêncio esperando o bel prazer de um peixe. As duas vezes que me convidaram para uma pescaria estraguei as duas, acho que no dia em eu morrer, no meu túmulo vou conseguir ficar em silêncio. Que perdoem minha ignorância os amantes da pesca, mas, cada um na sua arte”. Então lhe sorri e disse:
- Pescaria, pescaria, pescariiiiiiiiiiiaaa....não. Mas, gosto de um açude, de um pesque e pague, de um lugar desses que o peixe não demore muito para dar o ar de sua graça.
Ele sorriu.
- Pois bem, aqui nós temos pacuzeira, piabeira e piauzeira.
Neste momento, quando ele disparou este bando de nomes, um atrás do outro, até não catalogados no meu dicionário, eu quase tenho uma síncope.
Antes de continuarmos, para tudo: Síncope ou desmaio, é a perda súbita e transitória da consciência e consequentemente da postura, devido à isquemia cerebral transitória generalizada (redução na irrigação de sangue para o cérebro). Existe sempre recuperação espontânea da consciência na síncope. 
- Meu senhor, por favor, por obséquio, o que é uma pacuzeira?
Ele me respondeu:
- Doutor, é um tipo de malhadeira que serve para pescar pacú, já a piabeira para pescar piaba, a Piauzeira para pescar piaú e ainda há a flecheira para pegar o peixe, lembrando de que o saqueiro tem que ir atrás acompanhando o arqueiro.
Para tudo! Olha a síncope. Sou marinheiro de primeira viagem, tudo tem que ser explicadinho nos mínimos detalhes, tive que pesquisar: Pacu é o nome geral dado a várias espécies de peixes caracídeos da subfamília Serrasalminae, que também inclui as piranhas. São típicos do pantanal sul-matogrossense, dos rios amazônicos e bacia do Prata, e originários dos rios Paraná, Paraguai e Uruguai. Alimenta-se de frutos, caranguejos e de detritos orgânicos encontrados na água. Atinge 25 kg de peso, comum até 8 kg. São praticadas duas formas diferentes de pesca - na vara de bambu, fisgada com frutos (tucum, laranjinha ou jenipapo) ou pesca apoitada com isca de caranguejo. Piaba ou Piava procedem do termo tupi pi'awa, que significa "pele manchada". É um peixe de cor brilhante, prateada. A boca é pequena, porém possui dentes fortes e capazes de arrebentar anzóis fracos. Costuma nadar muito em busca de comida. Suas preferências são por vegetais, larvas de insetos, além de pequenos peixes. Piau: Nome dado às piabas maiores. Flecheira: é uma palavra derivada de flecheiro, ou seja, aquele caçador armado de arco e flecha; arqueiro (variação – frecheiro). Quanto à utilização do saqueiro fica a critério de cada um, não vou entrar no mérito da causa.
Voltando ao diálogo:
- Entendeu?
Ele me perguntou.
Eu com uma postura e ar “estrogonófico” expressando sabedoria pura lhe respondi, balançando a cabeça:
- Tecnicamente, tecnicamente.
E lembrei-me das maravilhosas viagens pelos campos do Marajó de outrora, onde, certa vez, conversando com uma linda cabocla de nome Tuany, ela in loco me explicou juntamente com outros ribeirinhos como pegar um siri.
- Ei, garoto da cidade, venha cá. Vem pegar Siri com a gente.
Como uma criança curiosa, eu fui. Perguntei:
- E como se pega um Siri?
Ela explicou:
- Se pega o siri com um pedaço de carne amarrado na ponta de uma linha, o crustáceo é içado para a superfície e apanhado com o uso do landuá.
- Landuááááá?
Perguntei.
- Sim.  Esta aí do teu lado, essa pequena rede presa a uma armação de madeira triangular. O landuá, geralmente, é utilizado para recolher siris apanhados em pescarias feitas em margens de rios ou praias afastadas. Entendeu?
Eu com os óculos na ponta do nariz, com uma postura e ar “estrogonófico” expressando sabedoria profunda lhe respondi, balançando a cabeça:
- Tecnicamente, tecnicamente.
E, não é que deu certo.
Voltando o diálogo debaixo do jambeiro
- Meu amigo, já vou me embora. Está quase na hora do almoço.
- Verdade. Foi muito interessante nossa conversa aprendi muito, nada como a sabedoria popular. Qual é seu nome?
- Jacinto José de Lima, “O cravo das moças já foi alecrim das meninas”.
Foi assim que ele se apresentou. Achei fantástico!
- Quer saber mais? Então, tenho 76 anos, sou goiano da cidade de Padre João da Boa-Vista, cheguei no Pará em 1977, estou aqui em Rurópolis há 40 anos, mas brevemente estarei indo para o Amazonas.
- Então está certo senhor Jacinto.
Falei e ele repetiu:
- Jacinto José de Lima, “O cravo das moças já foi alecrim das meninas”.
Confesso que me diverti e aprendi muito escrevendo esta crônica. E com o calor que estava fazendo, automaticamente, lembrei-me de um amigo de longas jornadas, residente em Belém, minha terra natal, que do nada, publicamente, no facebook, me chama para tomar uma cerveja Cu de Foca.  Eu quase tive uma síncope. Para mim ele estava me sacaneando, quase leva uma bruta esculhambação, pois nunca tinha ouvido tal expressão. Sabia da existência da cerveja escura batizada de Caracu, mas esta outra até ontem desconhecia. Logo eu que não bebo cerveja e muito menos Cu de foca.  Contudo, me acalmei, pois para quem como eu que já confundiu os termos caititu e catiroba, resolvi pesquisar e não é que essa expressão existe até cômica e um tanto quanto deselegante, porém, é muito comum nas rodas de bar para expressar sinônimo de geladíssima ou estupidamente gelada. Mas, antes para descobrir isso, eu penei, tive que recorrer às cartas, aos universitários, aos colegas, aos informantes e até fiz uma ligação anônima, disfarçando a voz, para um bar perguntando “tem uma cerveja cu de foca aí?”.
E podem crer, assim me responderam:
- Tem, pode vir, já estão estupidamente geladas.
É isso. Antes de finalizar quero agradecer a todos os leitores das crônicas semanais. Tenho encontrado muitas pessoas que me dizem que as crônicas tem as levado do riso à emoção, auxiliado de alguma forma nas suas vidas (não sei como ainda, mas vamos descobrir juntos, por enquanto minha vaidade leonina agradece), sem contar, com as inúmeras mensagens recebidas por Whatsapp, pelo facebook e e-mail. Fico feliz por isso, pois, junto com vocês também vou do riso à emoção e aos poucos, a gente vai melhorando, moldando, descobrindo e se redescobrindo. Eu passo conhecer um pouco de vocês e vocês de mim. É nosso elo.  Fico feliz, porque tudo começou como uma brincadeira, como um gentil convite de Helder Marinho para o blog sem polêmica e jamais pensei que tomaria tal proporção quanto ao entretenimento.    
Agora sim, finalizando:

Entre o real e o imaginário, entre a verdade e a fantasia aqui contada, o que nem eu já sei mais, encerro a crônica da semana. Um beijo a todos fique com Deus e até semana que vem. Ariosnaldo da Silva Vital Filho.




ADQUIRA JÁ A SUA CAMISA E CONTRIBUA COM A PARÓQUIA SANTÍSSIMA TRINDADE


PROCURE A CASA PAROQUIAL (CASA DOS PADRES) E ADQUIRA SUA CAMISA. COM ESSA AÇÃO, ESTARÁ AJUDANDO NOS TRABALHOS REALIZADOS PELA IGREJA. ENTÃO NÃO PERCA TEMPO, VOCÊ PODE? ENTÃO AJUDE! PRECISAMOS DA SUA FORÇA.

PARTICIPE DO EVENTO RELIGIOSO E SOCIAL NA IGREJA CATÓLICA MATRIZ

O Pároco Padre Jean Paul, convida todas as comunidades de Rurópolis e das cidades circunvizinhas, para participarem e abrilhantarem a festividade alusiva à Santíssima Trindade, padroeira deste município. Vamos participar dos eventos religiosos, como também dos eventos sociais, pois assim, se divertindo, estará também ajudando financeiramente a Comunidade São Francisco de Assis. A programação será no período de 08 a 14 de junho do corrente ano e estaremos lhe esperando, pois precisamos sempre de sua ajuda. 

quarta-feira, 20 de maio de 2015

LUTADORES RUROPOLENSES PARTICIPAM DO CAMPEONATO PARAENSE DE JIU - JITSU

Anderson, Junior, Rennanzeller e Fausto

No último final de semana, dias 16 e 17 do corrente mês, quatro jovens lutadores ruropolense foram para Santarém participar do campeonato paraense de jiu – jitsu. Esses guerreiros que participaram do campeonato foram: ANDERSON FRAGA, JUNIOR MARRETA, FAUSTO ARAÚJO e RENNANZELLER. ANDERSON FRAGA, o famoso Téo Gordinho, foi participar da categoria peso pesadíssimo acima de 100 kg, para iniciantes. 

Anderson Fraga ficou em 4° lugar, JUNIOR que foi na categoria peso leve, ate 75 kg, faixa azul, infelizmente não conseguiu bater o peso e por isso não lutou; FAUSTO que foi na categoria peso leve ate 70 kg, faixa azul, ficou em 4° lugar e RENNANZELLER, que foi na categoria peso leve, ate 75 kg, para iniciante, ficou em 9° lugar. Apesar dos resultados não serem como eles 

gostariam, os mesmos estão muito felizes em participar de um campeonato a nível estadual onde se encontram os melhores lutadores da região, e logo, logo, virão mais campeonatos para esses jovens guerreiros competir e tentar ganhar. E desde já deixam o convite para o campeonato ruropolense de jiu - jitsu que ira acontecer no dia 28 de junho de 2015 no Ginásio Poliesportivo Doutor Almir Gabriel. VEJA MAIS FOTOS CLICANDO ABAIXO.                             
Texto e fotografias: Anderson Fraga (O famoso Téo Gordinho – agora repórter e lutador)




POLICIA MILITAR COLOCA MAIS DOIS LADRÕES NA CADEIA

SD Flavio, CB Baia, Moisés, Danilo e SD Marreiro

Na última segunda feira (18/05/2015), por volta das 22h50min, a Guarnição da Policia Militar do pelotão da 17ª CIPM, lotados na cidade de Placas, composta pelo Cabo Baia, Soldados Marreiro e Flávio, com o apoio do Sub Tenente Queiroz, prenderam em flagrante delito, dois elementos: MOISÉS DOMINGOS DA SILVA, 21 anos, natural de Rurópolis e DANILO FERREIRA FERNANDES, 18 ANOS. 
Moisés
Danilo
 
Os mesmo foram presos em flagrante com R$ 1.632,50, um revólver calibre 38, sete munições, cinco celulares, todos os produtos de roubo, resultado dos assaltos cometidos na Comunidade Ouro Verde, por volta das 10h30min, no comercial Beto, e outro em Uruará às 14h00min. Os meliantes ainda confessaram vários assaltos, sendo um deles no Posto Equador em Rurópolis. Vale observar que Danilo é foragido da penitenciária de Santarém. A dupla foi entregue na DEPOL, para os procedimentos legais, juntamente com os produtos roubados. Ainda na noite do dia 18, foi preso em flagrante pelo crime de porte de munições o indivíduo Geisson Francisco Silva, de 18 anos. 
Informações e fotografias: Assessoria de comunicação da 17ª CIPM

sábado, 16 de maio de 2015

CRÔNICA DA SEMANA: PARA SEMPRE...

Dr. Ary Vital com Dr. José Arthur Calegaro, sua esposa e cunhada
Mensagem deixada
Relutei muito para escrever este texto. Meu coração ainda está menor. O sol também se escondeu. Na verdade, eu nem iria escrever nesta semana a crônica, pois, um manto de tristeza e saudade me tomou por completo nestes dias. Não gosto de despedidas. Não gosto de dizer Adeus. Sou muito emotivo, sou muito experimental e existencialista. Não nego, não tenho vergonha e não abro mão de nenhuma parte de quem eu sou, ora julgado como louco, ora polêmico, ora poético para aqueles que não conseguem ver além disso,  mas, dentro de certa lucidez, sou tudo isso e mais um pouco, misturado com chocolate e pimenta, e não renuncio qualquer parte de meu ser.
Lembro que meus primeiros estudos sobre o existencialismo, foi nas aulas de Sociologia Jurídica. Me identifiquei de pronto com esta corrente filosófica e literária que considera cada homem com um ser único, mestre dos seus atos e do seu destino, logo, o indivíduo é o único responsável em dar significado à sua vida e em vivê-la de maneira sincera e apaixonada, embora os obstáculos e conflitos subjetivos, chamados de distracções, como o desespero, a ansiedade, o absurdo, a alienação, o ridículo e o tédio, entendidos desta forma pelo pai desta escola, o nobre filósofo e teólogo Dinamarquês, do século XIX, Soren Kierkegaard.
Sabia que enfrentaria vários obstáculos e adversidades externas e internas, mas, ainda assim naquele mês de fevereiro do ano de 2008, resolvi arrumar as malas e tomar um avião para viver em outra cidade, saindo da minha zona de conforto, contrariando tudo e todos, principalmente, aqueles que achavam que eu não daria certo no cargo, pois, para eles não tinha o perfil.
No mesmo dia em que cheguei à cidade de Santarém, não pensei muito e sim agi, resolvi tomar uma carona e assumir minhas responsabilidades na cidade de Rurópolis. Cheguei de baixo de chuva. Era um “admirável mundo novo” que se abria diante de meus olhos. De coração, até aquela chuva torrencial que eu trouxe ou que veio comigo, não sei, ainda hoje acredito que somente veio para me abençoar, me dá sorte.
No segundo dia na cidade, sábado, 25/02/2008, foi hospitalizado, febre e dor no corpo. Apaguei na cama de hospital, hoje sei que era mais medo do desconhecido do que virose. No outro dia, Dr. José Arthur Freire Calegaro foi até ao quarto e com seus óculos na ponta do nariz me olhava de cima.
- Bom dia, meu rapaz! Como você está?
Ele perguntava.
- Bom dia doutor, estou bem, já quero ir embora.
Eu respondi.
- Tudo bem. Vamos verificar a pressão e a temperatura. A febre já passou. Você está bem meu rapaz. Pronto para ir para casa.
Certamente, pela inteligência daquele homem, ele notou de pronto que era apenas um “faniquito” e que ele estava diante de um jovem com medos tão bobos e de coragens tão absurdas.

- Rapaz, como soube que eu era o médico, já que quando fiz a visita ontem estavas dormindo?
Ele me perguntava rindo, puxando para frente o bico do seu boné xadrez.
- Ora Doutor, descobri logo pelo jaleco e pelo estetoscópio pendurado no pescoço, além do que o senhor olhos minhas pupilas e me fez colocar a língua para fora para examinar minha garganta, isso só os médicos fazem.

Foi a maior bobagem que falei naquele dia, o que o fez rir até seu rosto ficar vermelho. Daí nasceu uma amizade. Nossa, um filme passa pela minha mente, quando me lembro deste e de outros momentos memoráveis ao lado do amigo. Depois que recebi alta-médica e fui embora, ele disse na enfermaria: “Gostei deste rapaz, ele não é daqui. Quem é?” E alguém lhe falou: “É o novo delegado”.  E ele respondeu: “E vocês não me dizem nada!” Fato este que ele mesmo me contou posteriormente.

Na segunda-feira, no final da tarde, ele foi até a delegacia e me convidou para ir à sua casa para conhecer sua esposa e família, pois estaria fazendo um jantar de boas vindas e desde aí foram inúmeros sempre de boas-vindas. Meu mal é esse, sou igual vampiro, somente entro na sua casa se eu for convidado e depois que eu adentro nem alho ou água benta dão jeito.

Ficamos amigos de verdade. Eu, Doutor José Arthur Calegaro, Doutora Marilene Jacques de Lima Calegaro (esposa), Mari Jacques de Lima (irmã) e Maycon  Scherer (sobrinho) e quando eu chegava à casa deles, Doutor José assim me recebia:
- Entra Ari, me conta o que tem para hoje.
E uma galeria de dramas, bobagens, desabafos, risos, lágrimas, histórias eram compartilhadas. Até hoje, Doutor José foi a única pessoa que conheci que comemorava o aniversário dele duas vezes, chamando todo mundo, com direito a língua de sogra, brinquedinhos e chapeuzinho de papel, além do banquete servido. Não tínhamos vergonha de rirmos de nós mesmos.


E quando eu desaparecia, Dr. Jose e Dra., Marilene me procuravam até me encontrar e sempre perguntavam:
- Ari, o que te fizemos guri, que tu sumiste de lá de casa?
E eu respondia:
- Nada Doutor. Tô aqui de novo.
O pouco tempo que tínhamos juntos, nós aproveitávamos para jogar conversar fora, rir um do outro, espantar o cansaço e o estresse do dia, com um bom filme, uma boa música, livros ou tomando caldos e aperitivos inventados na hora.

Lá pelos meados de 2010, certo dia, Dr. José me disse:
- Ari, estamos indo embora de Rurópolis. Recebi uma proposta de trabalho em outro município.
- Quando?
Espantado perguntei.
- No início da semana que vem.
-  Já?
- Já.
Hora da partida
Fiquei muito triste. Não fui nem vê-los arrumando as malas e nem partir daquela casa, onde era nosso grande cenário de encontros de amigos, mas, no último momento apareci na pista de pouso do aeroporto e fui dar meu abraço neles. Na verdade, era meu último abraço dado em Dr. José Arthur antes dele embarcar naquele avião.
- Mas Ari, não chora, guri não é um adeus.
- Quem está chorando o quê doutor?
- Tá chorando sim.
- Tô nada.
- Tá.
- Não tô.
- Tá
- Tô.
- Não chora, manteremos contato de alguma forma. Agora sim, o piloto já está chamando e ainda temos que acomodar nossas cadelinhas.
Ele me fez rir, ao meio de lágrimas, igual como eu o fiz naquele primeiro encontro no hospital.
- Ari, até breve.
E fiquei ali até o avião levantar voo e sumir no horizonte. Mas,  na mesma tarde daquele dia, o telefone da delegacia toca:
- Ari, já estamos em Novo Progresso. Quando tu vens nos visitar guri?
Era ele. Era Dra., Marilene. Ainda mantive por um longo tempo contato com eles por telefone e por Orkut, mas, depois sumiram, nenhum sinal, contudo, foi uma celebração quando de repente nos encontramos no Facebook, parecia que o tempo não tinha passado.
Na data de 12 de Maio de 2015, Maycon Scherer me envia a seguinte mensagem por WhatsApp:
- Oi moço. Tudo bem? Dr. Arthur faleceu hoje à tarde. Infarto.
Fiquei mudo, sem saber o que dizer. Orei para que os espíritos de luz o recebessem nesta trajetória, para que Deus o acolhesse e confortasse os corações aflitos de familiares e amigos. Soube que Doutor José terminou sua missão, numa terça-feira, ainda chegou trabalhar até às 15hs no Hospital da cidade de Nova Santa Helena/MT, local onde também residia com a família.
A última mensagem dele que tenho guardada no celular é: “Bom 2015”.  É difícil se despedir de um amigo, de alguém que realmente foi um amigo por inteiro, logo eu que sou tão existencialista. Procurei esquecer, mas, não dá para esquecer o inesquecível. Não dá para jogar no livro do esquecimento.
Não queria escrever nada, pois ele sempre estará eternizado nas minhas melhores memórias e de muitos na cidade de Rurópolis.  Eu ainda não tive condições emocionais de falar com Dr. Marilene. Sei que acabaremos chorando juntos. Como disse, procurei esquecer, mas não dá para esquecer o que é inesquecível, para minha surpresa, hoje, logo cedo, ele, de alguma forma, me deixou mais uma mensagem, me pregou uma peça. Sem querer, fui mexer no meu arquivo e encontrei um DVD da minissérie de Manoel Carlos, intitulado Maysa quando fala o coração. DVD este que ganhei no meu aniversário, já nem me lembrava de sua existência. Lembrei que foi escolhido à dedo por Dr. José e Dra., Marilene, pois, eles eram umas das poucas pessoas que sabiam o quanto gostava das narrativas do autor e da fotografia de Jayme Monjardim, e ao abrir me emocionei novamente ao ver o cartão, que estava esquecido ali dentro, escrito à mão: “Ari, Parabéns hoje, Felicidade Sempre... Dos amigos, Marilene e Arthur”.

Vou atender esta última recomendação médica. Então será assim, Doutor... Para Sempre.  Obrigado por tudo, Ariosnaldo.