sexta-feira, 17 de março de 2017

PROFESSORA NOELY KURTZ ESCLARECE O MANIFESTO NA CAMARA E DESABAFA...

Professora Noely Kurtz
Professores levando sua mensagem aos Edis
E o povo acordou... Para quem esteve presente na sessão da Câmara dos Vereadores de Rurópolis nesta sexta-feira, sentiu a efervescência de uma população revoltada com a traição daqueles que foram colocados lá, na casa do povo, justamente para representar seus interesses políticos. O movimento democrático de manifestação, espontânea, dos trabalhadores públicos municipais, algo não muito comum em nosso município, serviu para mostrar para a classe política que não podem tomar de assalto nossa inteligência, já que nossos bolsos já foram.
Acredito que a devida informação sobre as perdas dos direitos que os servidores sofreram foi essencial para fazer as vozes ecoarem as paredes daquela casa legislativa. Dessa forma, seguimos nessa missão, informar para poder lutar. Digo isso porque o conto do vigário propalado por meio da rádio local não surtiu o efeito esperado (por eles) e deu no que deu. Assim, cabe aqui tecer novos esclarecimentos quanto ao que foi falado pelos vereadores que mais pareciam secretários de governo do quê representantes do povo.

Bom, então vamos lá. O governo e seus vereadores (poderia até mesmo dizer vereadores do governo) continuam falando que as revogações de direitos não afetarão os servidores atuais, assim, “quem ganha X, continuará a ganhar X”. Neste ponto parece que quem deve ser esclarecido são os próprios representes do governo, pois é claro que todos serão afetados. Quando se fala de direitos adquiridos, que é um direito constitucional, está se dizendo que os direitos que já foram adquiridos, incorporados ao patrimônio do servidor, continuarão sendo pagos. Acontece que direitos que antes estavam certos de acontecer, como por exemplo, aumentar o adicional de tempo de serviço de 5% para 10%, não acontecerá mais devido à revogação, nesse caso o servidor continuará a perceber apenas os 5%, sem poder progredir na carreira.
Outro exemplo é o servidor que ainda não tem o tempo de serviço suficiente para sair de licença prêmio, não poderá mais acumular o tempo restante para poder adquirir a nova licença, apenas gozarão das licenças que já tiverem cumprido o período de aquisição. Pergunta-se, tudo isso não é afetar os servidores atuais? Será que o governo continuará falar o contrário e nos chamar de burros?!
Entretanto, dois novos argumentos foram postos a mesa, o primeiro é acusar a gestão passada de ter sabotado as previsões de recurso para educação, dizendo que fora informado para o MEC um número muito aquém de alunos. Nesse ponto uma ressalva deve ser feita, não estamos contra qualquer investigação de improbidade administrativa cometida pela gestão anterior, pelo contrário, caso provado, somos favoráveis a punição dos responsáveis.
O que não podemos aceitar é que se utilize disso para retirar nossos direitos! Não veio o recurso esperado para educação? Certo, vamos organizar a casa, botar tudo numa planilha, levar ao MEC, explicar o ocorrido e tentar resolver o problema. Olha só um bom motivo para utilização de diárias e passagens! Ah, mas não vai dar... Não dá para fazer isso? Então vamos botar para funcionar a equipe de governo e ver as possibilidades de economia a serem feitas e chamar a comunidade para debater as soluções. Dá trabalho né? Talvez seja mais fácil cortar os direitos dos servidores...
Outro argumento falado é que se não fosse passado à navalha nesses direitos, o governo não conseguiria pagar os servidores, colocando uma faca nos nossos pescoços: ou os direitos ou o salário! É sério isso? Se essa moda pega daqui a pouco vão nos dar a escolha entre meio salário ou nada. Neste ponto é bom lembrar que o governo do prefeito Taká foi eleito sobre as bandeiras do respeito e valorização do funcionalismo público e da democracia. 
Sobre respeito e valorização dos servidores não há mais o que falar, ficou mais do que comprovado que não há. Quanto à democracia, há de se fazer uma pergunta ao prefeito: decidir em gabinete que se deve revogar os direitos a licença prêmio e ao adicional por tempo de serviço, sem consultar os servidores, sem debater, é ser democrático?? Esqueceram que em uma democracia a participação é fundamental? Não era essa a maior crítica ao governo passado? Bom, de todo modo esse argumento não pode prevalecer. Falar simplesmente que não vai ter dinheiro para pagar não serve, deve-se mostrar o que se têm disponível, quais são outras receitas alternativas, ou melhor, antes de chegar no servidor, deve o governo dá o exemplo e cortar na própria carne, reduzindo os cargos em comissão, enxugando a máquina de compromissos de campanha, e, por que não, reduzindo os salários dos secretários, advogados, chefes de gabinete e coordenadores, para assim, voltar-se contra a já tão penalizada classe dos servidores públicos municipais.
Professora Noely participando da sessão
Por fim, não poderia deixar de tecer comentário quanto ao pior argumento que escutei naquela sessão, foi de um vereador da base do governo que encheu os pulmões e falou que “somos todos servidores”, incluindo-se – sem ser – na classe dos servidores, como se isso bastasse para aceitar goela abaixo todo esse pacote de maldades. Senhor vereador, falar que “somos todos servidores” votando o aumento do próprio salário para mais de R$ 7.000,00 (SETE MIL REAIS) é tão mais confortável...

Por fim, quero finalizar falando de apontamentos para luta. Como o mal já foi feito e segundo informações de nosso serviço de inteligência [fofoca de corredor] o prefeito já assinou a famigerada lei, só visualizo duas saídas: 1) Verificar a legalidade da sessão que votou a lei, principalmente quanto a sua forma e na ocorrência de ilegalidades pedir no Judiciário a anulação da sessão; e 2) Pressionar o Prefeito para que volte atrás e remeta a câmara um novo projeto de lei que preserve os direitos revogados. Particularmente entendo que todas as alternativas devem ser usadas, mas a segunda é a que garantirá um resultado mais certo, célere e, quem sabe, uma forma de redenção do governo municipal.
Texto: Professora Noely Kurtz

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